“Eu poderia levar uma vida de bêbado, eu poderia tragar aquele cigarro toda tarde, eu poderia cambalear por a cidade em uma noite escura, eu poderia levar uma vida inútil, eu poderia andar vagamente por essas ruas desse país, eu poderia te amar, mas não eu to aqui vendo você passar levando a melhor parte de mim que é você.”
— (via frasesmalfeitas)

“Vei pega aquela parada ali pra mim.” “Onde?” “Ali em cima do bagulho.” “Que bagulho cara?” “Ali porra do lado da parada, perto do negocio.” “Onde mano?” “PORRA TAMBÉM NÃO ACHA NADA, TOMA NO CU”


Blusa para esconder os cortes, sorrisos para esconder a dor.


“Eu não assisto novelas, não sei cozinhar, tenho dificuldades em conjugar o verbo amar e as vezes faço um nó em meus pensamentos. Eu não sou sortudo. Por onde passo saio derrubando tudo, desde um vaso sobre a mesa ou até mesmo cortinas. O meu celular não é um dos melhores, o meu computador não é o mega rápido. Minhas roupas nem sempre são de marca, poucas são as vezes que não saio todo amarrotado, todo descabelado, com o tênis desamarrado e a calça larga. Eu não sou tão bom em criar amizades como sou um pouco melhor em futebol e outras coisas. Eu não consigo espirrar de olhos abertos, não consigo comer e conversar ao mesmo tempo - até consigo, deselegantemente. Na escola tenho dificuldades em subtrair e dividir, porém sou ótimo em multiplicar. A minha rua não é tão movimentada, a minha cidade não é enorme. Eu prefiro uma cidade pequena e com boas condições a invés de morar em uma metrópole onde não se pode nem mesmo andar que é esmagado pela multidão. Tem dias que até prefiro o campo. Bem melhor em uma rede deitar, ler, descansar e suavizar. Eu não tenho coordenação motora. Não passo muito tempo com os meus pais, não socializo com os meus vizinhos e não consigo ouvir música com um som mínimo - tem de ser no máximo ou no máximo, é assim. Me dão oito e eu escolho oitenta. Eu gosto de café e odeio chá. Todas as manhãs eu pego o jornal que o jornaleiro joga em meu quintal. Eu não uso sapatos, eu não sei fazer poesias. E que se foda essa porra de sociedade. Eu não sei ser outra pessoa, eu não sei disfarçar o meu ciúme e eu não me desapego facilmente. Odeio dizer um ‘eu te amo’ e dificilmente digo, apenas de último caso. Sempre quebro minhas promessas. Tenho preguiça de limpar ou lavar os meus tênis e são poucas as vezes que arrumo o meu quarto. Acho graça e faço pirraça quando meus pais implicam comigo. Não gosto de empilhar os meus livros, mesmo sendo poucos, odeio organizar minhas gavetas e também odeio arrumar o meu guarda-roupa. Não almoço junto com a família. Sempre separado, no quarto ou na sala e as vezes nem almoço. Eu não gosto de calor, de verão e tomo os meus banhos apenas em águas frias. Até mesmo no inverno. Eu não gosto de jogar baralhos e nem de ser o último da fila. Mesmo sendo o maior da turma. E, por fim, apesar de não conseguir ser uma outra pessoa, eu odeio ser eu. Um erro meu. Eu sou o meu erro.”
— Eu sou o meu erro, Lucas Guerrero  (via rockandsoda)